O livro Quando Eu Esquecer Você, no papel e no celular

Quando eu esquecer você, me conte quem nós fomos.

Foi o que a Helena me pediu. Depois encheu um caderno com a nossa vida inteira, para eu não precisar inventar.

Quero ler o caderno da Helena R$ 17,90 · pagamento único

237 páginas · chega no seu e-mail em poucos minutos
7 dias de garantia

A história

Ela trabalhava numa papelaria. Eu entrei para comprar um cartão.

Era 1975. A Helena tinha trinta anos e cuidava do balcão sozinha. Eu precisava de um cartão de aniversário para a minha mãe. Fiquei quarenta minutos escolhendo um cartão que custava quase nada. Ela percebeu e não falou nada.

Casamos em 1977. Tivemos a Laura, o Marcelo e a Sofia. Depois vieram quatro netos. A vida passou do jeito que passa com todo mundo, com conta para pagar e domingo à tarde.

Quarenta e quatro anos depois daquele balcão, um médico sentou na nossa frente e falou devagar. Falou que ela ia começar a esquecer. A Helena não chorou no consultório. Chorou no carro, uns cinco minutos, e depois pediu para parar na padaria.

Em casa ela pegou papel e caneta. Quis fazer uma lista das pessoas que não podia perder da memória. Parou no quarto nome. Falou que ninguém cabia numa lista, que era desonesto com o resto.

No outro dia ela comprou um caderno de capa dura e começou a escrever a vida inteira, do começo. Escreveu o que eu falei no balcão naquele dia. Escreveu uma briga de 1988 que eu já tinha esquecido e ela não. Escreveu o que teve vergonha de sentir quando descobriu a terceira gravidez.

Depois me pediu uma coisa só: quando eu esquecer você, me conte quem nós fomos.

Achei a caixa embaixo da cama. Tinha muito mais caderno do que eu imaginava. Levei quase um ano para ler tudo. Este livro é o que ela escreveu, na ordem em que ela escreveu.

Por dentro do livro

Ela escreveu assim.

Três páginas de verdade, do jeito que chegam no seu celular. A letra é grande e no fim do livro tem o álbum, com as cinco fotografias que eu consegui escolher.

Página 34: capítulo 3, Uma lista não basta
Capítulo 3
quando a lista não coube
Página do álbum: 2025, a última fotografia do casal
Álbum, 2025
a última foto que tiramos juntos
Página 223: capítulo 30, A frase que ficou pela metade
Capítulo 30
a frase que ficou pela metade

arraste para o lado

Capítulo 3 · a lista

“Escrevi Augusto. Ao lado, coloquei marido. Depois Laura, filha. Marcelo, filho. Sofia, filha. Fiquei olhando para aquelas quatro linhas como quem espera que o papel faça alguma coisa.

Não fez.

Augusto não cabia na palavra marido.”

Capítulo 7 · a nossa primeira casa

“Fechou. Pela primeira vez sem Augusto. Talvez eu finalmente tivesse aprendido o jeito. Ou talvez a janela estivesse cansada de nós.

Eu tinha certeza de que jamais esqueceria aquela casa. Hoje não lembro o número.”

Capítulo 30 · a frase que ficou pela metade

“Hoje demorei para escrever meu nome. Eu sabia que era Helena. O problema foi chegar de uma letra à outra.

Escrevi: Eu queria me lembrar para sempre da maneira como ele

E parei.”

Ela não completou aquela frase. Perguntei uma vez se lembrava do que queria escrever. Disse que não. Nunca perguntei de novo. Aquela palavra era dela, não minha.

O caderno inteiro é assim, sem pressa e sem enfeite. Se essas linhas te fizeram parar, o livro te segura por uma hora e quarenta.

Quem já leu

O tipo de mensagem que chega depois.

Todo dia chega mensagem de quem terminou o livro. Algumas eu leio duas vezes.

S
Sandra R.online
seu augusto, terminei ontem de madrugada
fui no quarto ver meu marido dormindo
30 anos de casados e eu nunca perguntei do pai dele
ele fala do pai umas duas vezes por ano, no maximo
hoje no cafe eu perguntei
ficou meia hora falando, eu nem sabia que o homem era ferroviario
obrigada ❤️
R
Rita L.online
boa noite augusto
minha mãe se foi em 12 de agosto de 2019
tenho a receita do bolo de fuba dela num papel de pão
a letra apagou bem na parte do forno
hoje eu fiz de memoria e ficou errado
sentei na cozinha e chorei que nem criança
nunca pensei que ia sentir falta de um cheiro
E
Elaine B.online
augusto, minha mãe tem 79
faz uns oito meses que ela repete a mesma pergunta
sabado ela me chamou de neusa, nome da irmã dela
eu ri na frente dela e chorei no banheiro depois
acabei seu livro as 3 da manhã e comprei um caderno
hoje ela me contou do vestido do casamento, azul, alugado
não sei quanto tempo eu ainda tenho pra perguntar o resto
V
Vera M.online
eu e meu irmão brigamos por causa da casa da nossa mãe
ficamos tres anos sem se falar, teimosia dos dois
ele morreu em janeiro, infarto, sozinho no apartamento
o numero dele ainda ta salvo aqui como maninho
li seu livro achando que ia me sentir melhor
so entendi que agora não tem mais pra onde ligar
desculpa desabafar com o senhor
P
Paulo H.online
seu augusto, eu não sou de ler
meu pai morreu em 2021 e eu não sei o nome do meu bisavô
sobrou o tio joão, 81 anos, mora em campinas
liguei domingo e falei que ia visitar com um gravador
ele riu e perguntou se eu tava doente
vou sabado, antes que vire mais uma coisa que eu não perguntei

A maioria escreve dizendo a mesma coisa: eu ainda dava tempo. Se você tem alguém para perguntar, pergunta hoje.

O que chega para você

O livro inteiro, no seu e-mail.

O livro Quando Eu Esquecer Você aberto no celular e no tablet

Como funciona

  1. Você paga pelo PIX, cartão, Apple Pay ou Google Pay.
  2. O e-mail com o livro chega assim que o pagamento aprova.
  3. Você abre e lê. São cerca de uma hora e quarenta.
O livro completo
R$17,90

pagamento único · sem assinatura · sem cobrança depois

Quero ler o caderno da Helena 237 páginas, o caderno inteiro

PIX, cartão, Apple Pay ou Google Pay.
O e-mail com o livro chega em poucos minutos.

Sete dias para desistir

Você tem sete dias para ler. Se sentir que não era para você, me escreve que eu devolvo os R$ 17,90. Não precisa explicar nada e não precisa devolver arquivo nenhum.

Perguntas que me fazem

Antes que você pergunte.

Isso aconteceu de verdade?

Aconteceu. A Helena foi minha mulher por quase cinquenta anos e os cadernos estão aqui comigo. Troquei o nome de algumas pessoas que ainda estão vivas, por respeito a elas. O resto está do jeito que ela deixou escrito.

O livro fala muito da doença? Vou sofrer lendo?

A doença é o começo do livro, não o assunto dele. Como eu escrevi na última página: antes de esquecer algumas coisas, a Helena viveu milhares. Você vai chorar, mas não do jeito ruim.

É livro físico ou digital?

É digital. Chega no seu e-mail e você lê no celular, no computador ou no tablet. Não vai nada pelo correio, e é por isso que custa dezessete e noventa.

Não sou muito boa com celular. Vou conseguir abrir?

Vai. Chega um e-mail com um botão, você aperta e o livro abre ali mesmo. É igual abrir uma foto que te mandaram. Se travar alguma coisa, responde aquele e-mail que eu resolvo com você.

A letra é grande? Enxergo mal de perto.

A letra é maior que a de livro de banca e o espaço entre as linhas é largo. No celular você ainda dá zoom com dois dedos. Fiz assim porque eu também não enxergo bem de perto.

Posso dar de presente?

Pode. Compre com o seu e-mail e encaminhe o arquivo para quem você quiser. Muita gente manda para a mãe ou para a avó, e vale mandar junto uma mensagem sua.

Quais as formas de pagamento?

PIX, cartão de crédito, Apple Pay e Google Pay. O pagamento é único e não fica nenhuma cobrança depois.

Quanto tempo leva para ler?

São 237 páginas e a maioria termina em uma hora e quarenta. Os capítulos são curtos de propósito. Dá para ler um por noite e ir devagar.

E se o e-mail não chegar?

Olha primeiro no spam ou na aba de promoções, é onde ele costuma cair. Se não estiver lá, me escreve que eu mando o arquivo na mão. Ninguém fica sem o livro.

“Se eu esquecer nossa história, me conte.”

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